Seus valores e virtudes te fazem próspero e feliz?

31 ago

Acabei de ler o livro Atlas Shrugged (A Revolta de Atlas) de Ayn Rand e tive uma série de insights sobre que escolhas podem ajudar a criar liberdade e felicidade em alinhamento com propósito de vida, paixão e lucros. Apesar de ter sido publicado em 1957, na minha opinião, a história encaixa-se perfeitamente nos dias de hoje.

Na mitologia grega o Titã Atlas recebe de Zeus o castigo de carregar o mundo nas costas. Esta é uma metáfora utilizada por Ayn Rand que descreve um cenário desolador em que a intervenção estatal se sobrepõe a qualquer iniciativa privada de reerguer a economia.

A autora divide o mundo em dois grandes grupos: aqueles que produzem riqueza (produtores) e aqueles que vivem das riquezas geradas por outras pessoas (saqueadores). Cansados de carregar o mundo nas costas e conscientes de quanto mais riqueza, mais saqueadores existirão, os produtores – principais líderes da indústria, empresários, filósofos e cientistas – começam a sumir sem deixar pistas e a economia entra em colapso.

Abaixo compartilho alguns insights com o objetivo de adicionar mais um ponto de vista sobre as escolhas que você tem feito em busca da sua felicidade e liberdade:

  • Algumas pessoas escolhem produzir algo de valor para outras pessoas e se tornam “produtores”. Eles decidem seguir um caminho de integridade alinhado com seus valores, assumem responsabilidade por suas escolhas, enfrentam os desafios aprendendo com os erros, buscam melhorar suas fraquezas ao invés de querer “sair bem na foto”, tem amor próprio e não se preocupam com o que os outros vão achar, são corajosos, estão preparados para as oportunidades, apreciam e valorizam a riqueza material pois é parte da conquista de seu próprio trabalho;
  • Outros escolhem não criar a própria riqueza e vivem para explorar a riqueza gerada pelas outras pessoas, tornando-se “saqueadores”. Utilizam argumentos baseados em mitos para cobrar impostos/tributos ou se escondem sob diversos pretextos para pedir ajuda, caridade e esmolas. São a antítese das idéias e escolhas dos produtores;
  • A justiça é vista como um comércio sem segundas intenções ou agendas escondidas: eu te dou algo de valor e você me dá algo de valor em troca. Isto é aplicado não só aos negócios, mas também nos relacionamentos afetivos: as pessoas que tem seu próprio “motor” são admirados e valorizados pelo seu parceiro(a). Um relacionamento afetivo está baseado nos valores e virtudes de ambas as partes para uma relação próspera em todos os sentidos;
  • Os valores de integridade, racionalidade, honestidade, justiça, independência, produtividade e orgulho embasam o juramento dos direitos individuais em busca da felicidade e direito a propriedade criada pelos esforços individuais: “Eu jamais viverei por outro homem, nem pedirei a outro homem que viva por mim”;
  • Caridade é ajudar aqueles que merecem (que estão se esforçando para produzir algo de valor) a realizarem seus objetivos. Ajudar os que não se esforçam, que escolhem não aprender, que não tentam produzir algo de valor para a sociedade, aqueles que vivem para “saquear” as pessoas que produzem é a pior forma de sabotar o aprendizado e crescimento destes. Dar droga a um viciado é amor?
  • Independência é o reconhecimento do fato de que a responsabilidade de discernir é sua. Nada pode ajudá-lo a se esquivar dessa responsabilidade de que nenhum substituto pode pensar por você; de que nenhum substituto pode viver a sua vida; de que a forma mais vil de autodegradação e autodestruição é subordinar a sua mente a de outro; aceitar uma autoridade sobre seu cérebro; aceitar as afirmações de outros como fatos, suas opiniões como verdades; seus decretos como intermediário entre sua consciência e sua existência.

A seguir compartilho a entrevista de Ayn Rand sobre o livro e sobre sua visão dos direitos individuais, liberdade e a busca da felicidade. Achei muito interessante e provocativa! Assista e compartilhe sua opinião.

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Forte abraço e sucesso!

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10 Respostas to “Seus valores e virtudes te fazem próspero e feliz?”

  1. Cacilda Paranhos 01/09/2011 às 12:06 PM #

    EXCELENTE CAIO, FOI UTIL PARA UMA REFLEXÃO, REALMENTE PRECISAMOS MAIS SER DO QUE TER… UTILIZEI EM AULAS E REPASSEI PARA MEUS CONTATOS.
    SUCESSO!

  2. Marcio Nunes 01/09/2011 às 1:53 PM #

    Excelente para refletirmos e conversarmos com nossos filhos e alunos.

  3. david de assis uchoa 01/09/2011 às 11:14 PM #

    Caio você sabe informar de que ano é este vídeo?Por que esses livros não foram traduzidos para o português?Pena que profundas informações filosóficas fiquem restritas a pequenas parcelas da população.

    • Caio Cesar Santos 02/09/2011 às 11:58 AM #

      Oi David,
      O livro foi publicado em 1957 e foi relancado no Brasil este ano com o nome “A Revolta de Atlas”. Acredito que o video seja do mesmo ano.
      Abs

  4. Joana 03/09/2011 às 1:25 PM #

    Muito simplista e raso. Todos os “insights” aqui expostos não passam de meias verdades. Em nossa sociedade, algumas pessoas simplesmente não têm escolha, não podem escolher produzir algo de valor, e por isso se tornam “saqueadoras”. Felicidade não é necessariamente produtividade. Direito a propriedade faz com que os “produtivos” queiram cada vez mais e mais e mais e obriguem outros a serem “saqueadores”. Nossa sociedade muitas vezes confunde “saqueadores” com “produtivos” e inverte valores. Enfim… texto raso. Vamos repensar isso aí!

    • Caio Cesar Santos 05/09/2011 às 12:57 PM #

      Oi Joana,
      Obrigado por compartilhar sua opinião!
      Nada do que é compartilhado aqui é exposto em forma de “verdades” para que as pessoas abram mão de seus pontos de vista. Este post é um “couvert” de um livro de 1200 páginas (Atlas Shrugged/ A Revolta de Atlas) para aqueles que queiram explorar mais a fundo.
      Com relação a “não ter escolha” eu compartilho o ponto de vista do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração Nazista do holocausto.
      Escrevi sobre isto em: http://decidaserfeliz.com/2011/07/12/desafios-da-vida/
      Abraços e sucesso nos seus desafios.

  5. Deni 06/09/2011 às 4:30 PM #

    Olá, Caio!

    Tudo bem com você?

    Interessante e intrigante esse texto e esse vídeo. Concordo com você na afirmação de que todos temos escolha. Concordo que temos que assumir a responsabilidade pela nossa realidade e que de nada adianta nos colocarmos na posição de vítimas e culpar o governo ou quem quer que seja pelos nossos problemas. Mas, admito que a vida e os problemas nas relações entre as pessoas neste planeta não se resolvem com essa visão simplista. O buraco é bem mais embaixo. Como dizia o Capitão Nascimento. ” O problema é o sistema”. Então vamos analisar o sistema.

    As idéias dessa escritora me parecem mais como uma forma de confrontar o Comunismo, sistema que nasceu em seu país de origem, quando ela defende que ninguém deve se sacrificar pelos outros e nem aceitar que outros se sacrifiquem por ele e que ninguém tem o direito de usar força física para tomar dos outros o que lhes é valioso ou de impor suas ideias sobre os outros. Essas idéias são muito coerentes e estão fincadas em valores nobres como liberdade e igualdade. Mas quando ela afirma que a mente humana, ou seja, a razão, é o meio para entender a realidade, creio que vai contra os ensinamentos de todos grandes mestres atuais e do passado. Como exemplo, cito Eckhart Tolle que afirma que todos problemas da nossa sociedade foram criados pela mente que, baseada no ego, cria uma visão distorcida da realidade. Quando fazemos o exercício “Sinta”, inclusive, estamos exatamente tentando enxergar além da mente, não é verdade?

    Veja outras frase da autora:

    “O ser humano deve usar a razão como sua única orientação para a ação.”
    “Deve viver pelo julgamento independente de sua própria mente.”

    Outra coisa que quero destacar é sobre a defesa que ela faz da não participação do estado nas relações econômicas. Por exemplo, em relação às leis trabalhistas, o próprio entrevistador no vídeo fala com muita propriedade que as leis de proteção aos trabalhadores surgiram por causa de abusos que os tais produtores de riqueza cometiam. Estes são os carregadores do planeta???

    Por fim, quero fazer mais duas colocações:
    Primeiro, de acordo com Osho e outros mestres, o Ser em evolução tem que abandonar essa idéia de amor egoísta ou amor interesseiro e evoluir para um amor desinteressado por todas as criaturas. Afinal não somos todos um? E o amor pelo outro não é no final o amor por si mesmo?

    Segundo, Buda nos ensina (e o Harry Palmer cita esse ensinamento em uma de suas palestras) que a busca pela felicidade individual é uma das causas do sofrimento humano. E essa felicidade só é encontrada no serviço aos outros…

    Um abraço, amigo.

    Deni

    • Adilson 07/09/2011 às 12:44 PM #

      Deni, suas colocações são bastante pertinentes e me alinho a elas, assim como ao sempre provocativo amigo Caio, cuja permissão para ocupar outro tanto de seu espaço já vou logo pedindo…

      A corajosa e contundente autora se destacou oportunamente num período ainda mais conservador da sociedade americana, ao expor e defender a questão da responsabilidade pessoal levada a um extremo, especialmente considerando uma sociedade cujas bases racistas e de intolerância eram sintomas óbvios de doutrinação arcaica, e que via ameaçados seus valores e orgulho por sistemas políticos divergentes ao capitalismo.

      Os tais sistemas que você bem menciona – opino a partir do ponto de vista de quem apenas os vê a certa distância, seja física ou temporal, porque leio/assisto as referências deixadas (lembro apenas que muitos dos registros a que temos acesso na maioria das vezes apresenta a versão dos “vitoriosos” sobre os “vencidos revolucionários/rebeldes” e outras etiquetas convenientes aos saqueadores, ou vice-versa, dos “pobres saqueados” ainda que em menor escala) – tem demonstrado que métodos, códigos, doutrinas e outros aparatos de domínio de um ser humano sobre outro(s) parecem estar ainda calcados nos medos primitivos de nossos ancestrais.

      Desde que os humanos evoluíram em diversos aspectos – físico, racional, comportamental, emocional (talvez não muito ainda…), o contingente de seres “iluminados” e “evoluídos” vem crescendo. Sinto que independe sob qual base essa iluminação ou evolução foram ou estão sendo desenvolvidas, importa mesmo é a ação, a atitude que traz o senso de estar fazendo a coisa certa, ou a menos errada, a cada momento.

      Interagir é talvez o maior dos desafios atuais neste planeta, e Harry Palmer traz algo muito valioso quando nos mostra que a única diferença entre os seres humanos são suas crenças (no sentido simples e profundo abordado nos materiais Avatar), ele mesmo seguidor e mestre como tantos outros que por aqui estiveram. Como cada um de nós.

      O tal medo do tigre (minha livre analogia aos saqueadores) ainda prevalece enraizado em instâncias profundas de nosso inconsciente. Estar presente neste momento no planeta, compartilhando tanto visões passadas como presentes é uma oportunidade de apoiar a criação de algo diferente, de uma sociedade de seres cuja fundação sejam valores como tolerância, respeito ao próximo (como a ti mesmo), justiça e honestidade. Tudo isso realmente começa em nós mesmos, a partir de tudo aquilo que queremos de fato ver refletido no mundo em que vivemos.

      Como contribuição:

      ” Meu irmão, lá, atrás dos seus pensamentos e sentimentos, se encontra um senhor poderoso, um sábio desconhecido cujo nome é ´você mesmo`. Ele mora no seu corpo. Ele é o seu corpo. Há mais razão no seu corpo que na sua melhor sabedoria [ …] O seu corpo (Selbst) se ri do seu ego e dos seus saltos ousados. ´Que é que esses saltos e voos de pensamento significam para mim?´, ele diz para si mesmo. ´Um desvio do meu fim. Eu sou os fios que movem o ego e o suporte onde se assentam os seus conceitos. O corpo (Selbst) diz para o ego: ´Sinta dor aqui!´. Então o ego sofre e pensa em como parar de sofrer – e é isso que faz o ego pensar. O corpo (Selbst) diz para o ego: ´Sinta prazer aqui!´. Então o ego tem prazer e pensa em como repetir esse prazer – e é isso que faz o ego pensar (os destaques em itálico são meus). […] O corpo criador criou o espírito como uma mão para a sua vontade” – Zaratustra extraído do belo livro Variações sobre o Prazer, de Rubem Alves.

      Selbst (de novo minha livre analogia) é esse ser mais superior, cujo estado de consciência é de tal forma amplo que se permite reconhecer, em primeira e última instâncias, como criador de seu próprio universo. Para o bem ou para o mal.

      Namaste.

      • Caio Cesar Santos 07/09/2011 às 3:28 PM #

        Deni e Adilson,

        Saudades!

        Obrigado pela valiosa contribuição! E que contribuição!

        Eu escolhi estar aberto a diversos pontos de vista para escolher as minhas crenças e convicções. Sou um leitor assíduo e grato pelos ensinamentos/ pontos de vista dos mestres de todas as gerações, incluindo os citados aqui.

        Este livro foi recomendado por pessoas que admiro e decidi ler com uma mente aberta, atento para minhas reações/ emoções e buscando não atacar/ defender de imediato as informações que estava absorvendo. Um exercício e tanto! 🙂

        Eu acredito que o padrão “oito ou oitenta” não estava me levando para os caminhos que eu gostaria de ir e passei a adotar a flexibilidade do “nove ao setenta e nove”.

        Eu decidi ler, estudar e experimentar processos de autoconhecimento para escolher no que eu quero acreditar e compartilhar idéias que possam contribuir com aqueles que estejam de mente e coração abertos a buscarem seus próprios caminhos.

        Nem tudo o que li em todos os livros (incluindo este) e que vivenciei adoto como verdade absoluta. Vou tentar resumir 1200 páginas e um comentário: o que fez sentido para mim (que não necessariamente fará sentido para outras pessoas) é que todos nós temos direito a vida, liberdade, a busca pela felicidade e a propriedade individual,

        Eu faço parte deste todo e sou o único responsável pelas minhas escolhas, pela minha saúde, pela minha paz interior e pelas condições necessárias para viver (da maneira que eu escolher) neste mundo. Não farei isso por ninguém e não espero que ninguém faça isso por mim.

        Quando eu cuido de mim, eu crio condições que me permitem escolher fazer algo de valor pelo mundo, pela sociedade, e pelas pessoas de valores alinhados que necessitem de informações, serviços, produtos, atenção ou carinho.

        Se eu estiver a serviço dos outros sem cuidar de minhas necessidades e prioridades eu estou desonrando meu valor fundamental de direito a vida, liberdade e felicidade.

        Quando coloco os outros em primeiro lugar e abro mão da minha saúde e condições para custear minhas despesas posso acabar me tornando um “peso” para outros, uma vítima ou utilizando os termos da autora “um saqueador”. Foi uma ficha que caiu em momento oportuno, mas que tem a ver com o meu ponto de vista e a minha experiência apenas. Isto me ajudou a ter mais clareza sobre minhas escolhas e manter, com gratidão, o que considero valioso de todas as outras fontes.

        Com relação aos outros questionamentos: recomendo a leitura do livro para que vocês trem suas próprias conclusões.

        Forte abraço e obrigado mais uma vez!

  6. andrefaria 11/04/2012 às 9:19 PM #

    Meus Parabéns. Eu estou lendo o livro, e as pontuações que você está fazendo de fato acompanham a filosofia que tenho absorvido na experiência de leitura. Muito obrigado pelo excelente trabalho, seu artigo criou bastante valor, você agiu como um verdadeiro produtor!

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